vendredi 14 janvier 2011

Manuel Alegre em Fornos de Algodres


É altura de uma reflexão profunda sobre a regionalização

“Penso que é altura de fazermos uma reflexão sensata, uma reflexão profunda, sobre a necessidade e a urgência da regionalização para o nosso País”, defendeu Manuel Alegre num almoço com apoiantes em Fornos de Algodres, a propósito do manifesto que jovens socialistas do distrito da Guarda lhe tinham entregue de manhã durante a visita à feira de Trancoso, onde referiam, entre outros problemas, a questão da desertificação do interior.
“Não podermos contentar-nos com casos isolados, com soluções casuísticas”, afirmou o candidato, garantindo que, enquanto Presidente da República, promoverá “um conjunto de iniciativas no sentido de mobilizar, de congregar as forças políticas e as forças da sociedade civil para se encontrarem soluções capazes de vencer este flagelo nacional que está a desertificar dois terços do nosso País”.
No seu discurso, Manuel Alegre referiu-se às notícias que davam conta da alegada ausência das suas declarações de rendimentos, criticando, em contraponto, o silêncio do candidato da direita sobre “notícias mais complicadas” a seu respeito.“O meu processo no Tribunal Constitucional está limpinho, fiz as declarações que tinha a fazer sempre. Mas esclareci a comunicação social porque é esse o dever de quem se candidata à Presidência da República”, afirmou.
Sobre o sistemático silêncio de Cavaco Silva, Manuel Alegre considera que "é extraordinário é que, tendo aparecido notícias muito mais complicadas sobre outro candidato, ele tenha dito que só respondia depois do dia 23 de Janeiro”. “Isto é uma falta de respeito pela transparência democrática, uma falta de respeito pelos eleitores. Isto é uma atitude de arrogância que não favorece a transparência democrática no nosso país”, condenou.
Para Manuel Alegre, “há uma duplicidade de critérios nas respostas mas, por vezes, também há duplicidade de critérios em quem faz as perguntas ou em quem não faz as perguntas”, acrescentou, numa alusão às diferenças de tratamento dos candidatos pela Comunicação Social.
Nas intervenções que precederam a do candidato, o líder parlamentar do PS apelou à mobilização dos socialistas em torno da candidatura de Manuel Alegre. “Esta eleição presidencial é da maior importância. É essencial que o PS se mobilize, tal como os independentes que estão com esta candidatura”, afirmou Francisco Assis, considerando que o projecto de revisão Constitucional do PSD visa a “conquista da Presidência, do Governo e de uma maioria no Parlamento”, com o objectivo de “destruição do Estado social”, em relação ao qual “Manuel Alegre jamais pactuará”.
Francisco Assis considerou ainda que nestas eleições presidenciais estão em confronto “a palavra” e o “silêncio”. “Manuel Alegre usa a palavra para apresentar ideias, soluções e interrogações, outros procuram em absoluto refugiar-se no silêncio como se não tivessem qualquer obrigação de participar no debate democrático. Ninguém em democracia está acima da crítica”, afirmou, numa crítica velada ao ainda Presidente.
Francisco Assis manifestou a sua confiança de que, numa segunda volta, “com a esquerda unida, Manuel Alegre vencerá”, tal como aconteceu com Mário Soares nas presidenciais de 1986.
Por sua vez, o secretário-geral da Juventude Socialista, acusou Cavaco Silva de fugir a responder a casos polémicos sobre a sua pessoa e que pretende “arvorar-se em proprietário da verdade”. Numa referência indirecta à notícia publicada na revista “Visão” sobre o processo de compra da casa de férias de Cavaco Silva no Algarve, Pedro Alves advertiu que em democracia “é preciso prestar contas e não dizer-se que se lê os jornais daqui a 15 dias”.
“Não basta remeter as suas respostas para um site, quando alguém que tem dúvidas questiona. Não basta esperar que a Imprensa seja suave, como aparentemente o candidato Cavaco Silva disse”, prosseguiu o líder da JS, defendendo o papel da comunicação social no jogo democrático.
“A Imprensa quer que haja respostas e que a campanha seja um local para esclarecer dúvidas. Não é uma chatice responder à imprensa, não é necessário nascer duas vezes, basta às vezes responder duas vezes quando há dúvidas”, afirmou o secretário-geral dos jovens socialistas.
Pedro Alves acusou ainda Cavaco Silva de se arvorar “em proprietário da verdade”, defendendo que “precisamos de um Presidente da República que não se cale, que não se resigne, precisamos de alguém que não tenha medo”.
Jornada na Beira Alta passou pela tradicional feira de Trancoso
Manuel Alegre começou esta jornada na Beira Alta com uma visita à Cercig, Cooperativa de educação e reabilitação de cidadãos inadaptados da Guarda, que considerou um dos “exemplos necessários em todo o País na perspectiva da integração das pessoas” pela sua intervenção sustentável e inovadora junto dos cidadãos com deficiências ou incapacidades e das suas famílias.
Seguiu-se uma visita à tradicional feira de Trancoso onde o candidato foi acolhido pelos feirantes e populares com palavras calorosas de força e encorajamento. No final, em declarações aos jornalistas, Manuel Alegre acusou Cavaco Silva de praticar “um eleitoralismo do século passado”, ao dirigir-se a um pároco de Valpaços no sentido de este o ajudar a combater a abstenção, exortando os cidadãos a votar. Para Manuel Alegre esta é “uma atitude estranha, eleitoralista” que revela “nervosismo e perturbação” e viola a laicidade do Estado, bem como as orientações da própria igreja.

14 de Janeiro de 2011

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