Alegre promete evitar a desertificação do interior
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http://videos.sapo.pt/RG2IGgFLW12M9Os1SM5f
dimanche 2 janvier 2011
“ninguém está eleito, nada está resolvido”.
Manuel Alegre em entrevista ao SAPO.pt - Vídeo - Parte I
No rescaldo do debate mais aceso e mais visto destas eleições presidenciais, Manuel Alegre fez um balanço e afirmou que “ninguém está eleito, nada está resolvido”.
ALEGRE RELANÇA-SE!

Do debate Cavaco/Alegre resultou uma certeza: é possível derrotar Cavaco. Não é fácil, mas é possível. Alegre relançou o combate e a esperança. A parte final desta campanha não será apenas o cumprimento de um dever cívico: vai ser a luta por uma vitória possível.
Ainda sobre o debate: o meu “conforto” à coordenadora – Judite Sousa – cujas questões Cavaco sistematicamente evitou, de resto de uma forma arrogante e mal educada, falando não sobre o que lhe era questionado (quer por Judite Sousa quer por Alegre) mas discursando sobre o que ele – o sábio – julgava importante dizer. Incapaz de aceitar críticas, Cavaco mostrou também que é incapaz de aceitar um debate que não seja o seu monólogo.
E ficará para o campo da pouca vergonha o modo como Cavaco se referiu à defesa dos serviços sociais. Implícito na sua versão está que são serviços que não competem ao Estado, mas sim às Misericórdias, às instituições de solidariedade… O direito a serviços públicos transforma-se assim em actos de apoio mais ou menos caritativo a quem sofre.
O profundo respeito que nos merece a actividade dessas instituições, que devem ser apoiadas, não permite confundi-las com a concretização dos serviços públicos a que o Estado está legalmente obrigado. Claro que Cavaco sabe isso. Mas, em vez do rigor e da verdade, pôs a sua inteligência ao serviço da mais ordinária demagogia.
E ficará para o campo da pouca vergonha o modo como Cavaco se referiu à defesa dos serviços sociais. Implícito na sua versão está que são serviços que não competem ao Estado, mas sim às Misericórdias, às instituições de solidariedade… O direito a serviços públicos transforma-se assim em actos de apoio mais ou menos caritativo a quem sofre.
O profundo respeito que nos merece a actividade dessas instituições, que devem ser apoiadas, não permite confundi-las com a concretização dos serviços públicos a que o Estado está legalmente obrigado. Claro que Cavaco sabe isso. Mas, em vez do rigor e da verdade, pôs a sua inteligência ao serviço da mais ordinária demagogia.
samedi 1 janvier 2011
As presidenciais e o discurso da direita neofascista
"A campanha em curso de ataques soezes contra Manuel Alegre (...) tem como objectivo não apenasbranquear a importância do nosso passado histórico recente, mas igualmente estender a passadeira ao candidato Cavaco Silva, o economista e ex-primeiro ministro cujas responsabilidades políticas no processo português de adesão à UE devem ser lembradas".
Ou a esquerda perdeu definitivamente as suas defesas ou é o clima instalado, de desgaste e saturação dos valores democráticos, que começa a instigar os novos arautos da direita protofascista do século XXI. Seja como for, estamos num ponto de indefinição e de viragem particularmente preocupante. Mas as épocas de crise têm pelo menos o condão de demarcar posições e separar as águas. A actual contradição não é apenas entre a esquerda e a direita, mas também entre a memória e o esquecimento e entre o futuro da democracia e o regresso ao elitismo fascizante. O momento crítico que se vive na Europa não se compadece com a atitude persecutória dos que, além de não possuírem nenhum passado político, já se arrogam o direito de agredir e julgar na praça pública os que lutaram e arriscaram a vida para nos devolver a liberdade.
Vem isto a propósito de dois artigos de opinião de Rui Ramos (RR) e Henrique Raposo (HR), publicados no jornal Expresso (18/12/2010), qual deles o mais agressivo e demagógico no branqueamento do salazarismo e no desrespeito perante quem corajosamente lhe resistiu. Não por acaso, o ataque é contra Manuel Alegre. Falar do passado, ou melhor, ter um passado e assumi-lo torna-se, na linguagem destes fazedores de opinião, a "exploração comercial da mitologia antifascista" (RR), enquanto se considera que "às portas de 2011" (sic) lembrar o salazarismo, a PIDE ou o antigo regime é qualquer coisa de absurdo, e de todo incompatível com "as ideias europeias de 2010" (HR). Na mesma linha doutrinária, uma outra pérola de RR é-nos oferecida no mesmo jornal (Expresso, 23/12/10) com a demonstração de que as leis laborais foram concebidas para "expropriar os proprietários" quando, segundo este "expert" em direito do trabalho, o que é preciso é deixar de ver "a propriedade como um crime" e "tratar as partes contratantes como iguais". Perante isto, até Belmiro ou Amorim, que reconhecem direitos aos trabalhadores, parecem autênticos gonçalvistas (!) e a Alemanha, a França ou os países nórdicos são com certeza países comunistas. Eis uma "questão ideológica" que faria inveja a António Ferro.
Por outro lado, não sei o que sejam as "ideias europeias de 2010", de que fala HR. Primeiro, porque foram as ideias e as políticas dominantes na Europa e o modelo neoliberal que nela vingou nas últimas décadas que conduziram ao estado em que estamos; ou seja, como toda a gente sabe, o que infelizmente se assiste na Europa actual é ao bloqueio de soluções democráticas para a UE e ao reforço do autoritarismo do mais forte (a Alemanha). Segundo, porque as propostas alternativas ao paradigma dominante competem com as forças ultraliberais e alguns genes autoritários adormecidos que parecem querer despertar no actual cenário de crise. As novas ideias europeias que precisamos devem ajudar-nos a que o passo seguinte seja em prol do progresso, da igualdade, da coesão e da justiça social e não do retrocesso a uma matriz conservadora e liberal. Seria cómico se não fosse trágico. O "provinciano complexo" de inferioridade da direita (pelo menos de uma certa direita) está a promover o clima populista e o "vazio ideológico" que pode fazer ressurgir a mais perigosa das ideologias: abrir o campo a um novo "salvador" pretensamente imune às ideologias. O povo tem memória. E a memória colectiva tem de permanecer no debate público.
Mas, o que é especialmente inquietante é que a campanha em curso de ataques soezes contra Manuel Alegre, como é o caso destes, tem como objectivo não apenas branquear a importância do nosso passado histórico recente, mas igualmente estender a passadeira ao candidato Cavaco Silva, o economista e ex-primeiro ministro cujas responsabilidades políticas no processo português de adesão à UE devem ser lembradas (no momento em que assistimos ao seu falhanço). É como se possuir uma trajectória pessoal de combatente pela democracia e pela liberdade tivesse, de repente, passado a constituir um estigma inaceitável. É como se não possuir qualquer passado de luta tivesse, de repente, passado a constituir o acréscimo de autoridade para que a eleição presidencial se torne um passeio, um mero acto burocrático ou plebiscitário.
A um mês das presidenciais não há prognósticos credíveis, tal como não os há quanto às prováveis rupturas e viragens que se adivinham na Europa e no mundo. Mas o discurso demagógico destes pregadores - que não tiram da cabeça os pesadelos do PREC - prova que os clichés e radicalismos do passado estão a renascer das cinzas e revela bem as obsessões fantasmagóricas da direita neofascista.
Vem isto a propósito de dois artigos de opinião de Rui Ramos (RR) e Henrique Raposo (HR), publicados no jornal Expresso (18/12/2010), qual deles o mais agressivo e demagógico no branqueamento do salazarismo e no desrespeito perante quem corajosamente lhe resistiu. Não por acaso, o ataque é contra Manuel Alegre. Falar do passado, ou melhor, ter um passado e assumi-lo torna-se, na linguagem destes fazedores de opinião, a "exploração comercial da mitologia antifascista" (RR), enquanto se considera que "às portas de 2011" (sic) lembrar o salazarismo, a PIDE ou o antigo regime é qualquer coisa de absurdo, e de todo incompatível com "as ideias europeias de 2010" (HR). Na mesma linha doutrinária, uma outra pérola de RR é-nos oferecida no mesmo jornal (Expresso, 23/12/10) com a demonstração de que as leis laborais foram concebidas para "expropriar os proprietários" quando, segundo este "expert" em direito do trabalho, o que é preciso é deixar de ver "a propriedade como um crime" e "tratar as partes contratantes como iguais". Perante isto, até Belmiro ou Amorim, que reconhecem direitos aos trabalhadores, parecem autênticos gonçalvistas (!) e a Alemanha, a França ou os países nórdicos são com certeza países comunistas. Eis uma "questão ideológica" que faria inveja a António Ferro.
Por outro lado, não sei o que sejam as "ideias europeias de 2010", de que fala HR. Primeiro, porque foram as ideias e as políticas dominantes na Europa e o modelo neoliberal que nela vingou nas últimas décadas que conduziram ao estado em que estamos; ou seja, como toda a gente sabe, o que infelizmente se assiste na Europa actual é ao bloqueio de soluções democráticas para a UE e ao reforço do autoritarismo do mais forte (a Alemanha). Segundo, porque as propostas alternativas ao paradigma dominante competem com as forças ultraliberais e alguns genes autoritários adormecidos que parecem querer despertar no actual cenário de crise. As novas ideias europeias que precisamos devem ajudar-nos a que o passo seguinte seja em prol do progresso, da igualdade, da coesão e da justiça social e não do retrocesso a uma matriz conservadora e liberal. Seria cómico se não fosse trágico. O "provinciano complexo" de inferioridade da direita (pelo menos de uma certa direita) está a promover o clima populista e o "vazio ideológico" que pode fazer ressurgir a mais perigosa das ideologias: abrir o campo a um novo "salvador" pretensamente imune às ideologias. O povo tem memória. E a memória colectiva tem de permanecer no debate público.
Mas, o que é especialmente inquietante é que a campanha em curso de ataques soezes contra Manuel Alegre, como é o caso destes, tem como objectivo não apenas branquear a importância do nosso passado histórico recente, mas igualmente estender a passadeira ao candidato Cavaco Silva, o economista e ex-primeiro ministro cujas responsabilidades políticas no processo português de adesão à UE devem ser lembradas (no momento em que assistimos ao seu falhanço). É como se possuir uma trajectória pessoal de combatente pela democracia e pela liberdade tivesse, de repente, passado a constituir um estigma inaceitável. É como se não possuir qualquer passado de luta tivesse, de repente, passado a constituir o acréscimo de autoridade para que a eleição presidencial se torne um passeio, um mero acto burocrático ou plebiscitário.
A um mês das presidenciais não há prognósticos credíveis, tal como não os há quanto às prováveis rupturas e viragens que se adivinham na Europa e no mundo. Mas o discurso demagógico destes pregadores - que não tiram da cabeça os pesadelos do PREC - prova que os clichés e radicalismos do passado estão a renascer das cinzas e revela bem as obsessões fantasmagóricas da direita neofascista.
In Público, 31/12/2010, por Elísio Estanque, Sociólogo, apoiante da candidatura de Manuel Alegre
Um homem não se rende
Ao iniciar um novo ano no auge de um combate decisivo para Portugal, lembramos as palavras proféticas de Manuel Alegre, há nove anos atrás, no conto “O quadrado”.
Por mais que me intimem e me intimidem continuarei a resistir. Não propriamente por razões militares ou morais. Digamos que por razões estéticas. Um homem não se rende. (…)(…) eles aí estão, tenho de defender o meu quadrado, não há outro sentido senão este, lutar até ao fim, um homem não se rende, não seria bonito, seria, aliás, se me permitem, uma falta de educação, uma grande falta de educação.
Manuel Alegre, no conto “O quadrado”, Dezembro de 2002
Fernando Rosas Apoia Manuel Alegre

Fernando Rosas é historiador, Professor Universitário e Deputado à Assembleia
da República pelo Bloco de Esquerda.
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http://www.manuelalegre2011.pt/video/fernando-rosas
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